CRESCIMENTO: os cadernos econômicos da imprensa brasileira veem expondo, de forma entusiasmada, os índices de crescimento brasileiro. A variação do PIB no primeiro trimestre de 2010 foi de 2,7%, o terceiro maior do mundo. Em relação ao primeiro trimestre de 2009, a variação chega a 9% positiva. Isso leva a inevitáveis comparações. A mais importante delas é com a China, que vem mantendo esse nível de crescimento há mais de uma década. Infelizmente, a maioria dos analistas pondera que esse robusto e surpreendente crescimento não se sustentará para os próximos trimestres. Concorrerão para o arrefecimento, o aumento das taxas de juros, o fim dos incentivo fiscais e os próprios limites brasileiros, aqueles ligados à falta de infraestrutura e à ausência de modernização da legislação fiscal e tributária. O economista Alexandre Schwartsman, do Grupo Santander (Folha de São Paulo, 09-06), compara esse crescimento a uma caixa dágua: "Assim como a caixa se encherá, levando ao fatal transbordamento à medida que o espaço vago for preenchido, também os
desequilíbrios surgirão quando a capacidade ociosa se esgotar".
PRÓXIMOS ANOS: especula-se que o próximo governo, qualquer governo, terá que refrear o ritmo de crescimento, exatamente em função das questões logísticas, mais do que os aspectos meramente macroeconômicos ou financeiros. A energia elétrica é dada como exemplo, cuja equação não está totalmente resolvida: as obras tem sido retardadas por problemas legais, ambientais e pela própria letargia natural da administração pública. Mas, no campo econômico, os especialistas agregam que o volume de investimentos é insuficiente para manter o atual ritmo de crescimento. Segundo essa ótica, o atual nível de investimentos seria capaz de, no máximo, alavancar um crescimento por volta de 4% ao ano. Ocorre que, os entendidos de plantão se esquecem que um crescimento médio constante de 4% ao ano é importante, até suficiente, desde a nossa demografia superlativa seja controlada e que se adotem outras medidas, principalmente no que se refere ao preparo dos jovens.
